Primeiro levaram os negros.
Mas não me importei com isso.
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários.
Mas não me importei com isso.
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis.
Mas não me importei com isso.
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados.
Mas como tenho meu emprego, também não me importei.
Agora estão me levando.
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém .
Ninguém se importa comigo.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Poemas de Natal
Em a noite de Natal
Alegram-se os pequenitos
Pois sabem que o bom Jesus
Costuma dar-lhes bonitos
Vão se deitar os lindinhos
Mas nem dormem de contentes
E somente às dez horas
Adormecem inocentes.
Perguntam logo à criada
Quando acorde de manhã
Se Jesus não lhes deu nada.
- Deu-lhes sim, muitos bonitos.
- Queremo-nos já levantar
Respondem os pequenitos.
Mário de Sá Carneiro
Alegram-se os pequenitos
Pois sabem que o bom Jesus
Costuma dar-lhes bonitos
Vão se deitar os lindinhos
Mas nem dormem de contentes
E somente às dez horas
Adormecem inocentes.
Perguntam logo à criada
Quando acorde de manhã
Se Jesus não lhes deu nada.
- Deu-lhes sim, muitos bonitos.
- Queremo-nos já levantar
Respondem os pequenitos.
Mário de Sá Carneiro
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Desassossego
Intervalo
Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se segredado?...
Quem te disse tão cedo?
Não fui eu, que te ousei dizê-lo.
Não foi um outro,porque não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém,seria?
Ou foi só que o sonhastes e eu te sonhei?
Foi só qualquer ciúme meu de ti
Que o supôs dito, porque o não direi,
Que o supôs feito, porque só o fingi?
Em sonhos que nem sei?
Seja o que for,quem foi que levemente,
A teu ouvido vagamente atento,
Te falou desse amor em mim presente
Mas que não passa do meu pensamento
Que anseia e que não sente?
Foi um desejo que, sem corpo ou boca,
A teus ouvidos de eu sonhar-te disse
A frase eterna, imerecida e louca
A que as deusas esperam da ledice
Com que o Olimpo se apouca.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se segredado?...
Quem te disse tão cedo?
Não fui eu, que te ousei dizê-lo.
Não foi um outro,porque não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém,seria?
Ou foi só que o sonhastes e eu te sonhei?
Foi só qualquer ciúme meu de ti
Que o supôs dito, porque o não direi,
Que o supôs feito, porque só o fingi?
Em sonhos que nem sei?
Seja o que for,quem foi que levemente,
A teu ouvido vagamente atento,
Te falou desse amor em mim presente
Mas que não passa do meu pensamento
Que anseia e que não sente?
Foi um desejo que, sem corpo ou boca,
A teus ouvidos de eu sonhar-te disse
A frase eterna, imerecida e louca
A que as deusas esperam da ledice
Com que o Olimpo se apouca.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Natal
Vinte cinco é Natal
Acontece em todo o mundo
Ninguém vai levar a mal isto estar tão profundo
As casas com presentes
as luzes brilham na rua
até vêem o parentes
neste dia existe lua
O peru está na mesa
e o bacalhau também
o Natal tem proeza
isto vai para o além
segunda-feira, 3 de maio de 2010
O Soneto da Lontra
Certo dia uma lontra
Foi parar ao meu jardim
Muito triste estava ela
Mas porque é que estava assim?
Contou-me quase a chorar
Com olhos cheios de mágoa
Que os homens destruíram
A sua casa na água
Ela andava à procura
De um sítio onde ficar
Mas não encontrou a cura.
Não vou desvendar o fim
Pensem como acabou
Esta história sem fim.
Foi parar ao meu jardim
Muito triste estava ela
Mas porque é que estava assim?
Contou-me quase a chorar
Com olhos cheios de mágoa
Que os homens destruíram
A sua casa na água
Ela andava à procura
De um sítio onde ficar
Mas não encontrou a cura.
Não vou desvendar o fim
Pensem como acabou
Esta história sem fim.
sábado, 1 de maio de 2010
O maravilhoso mar
O maravilhoso mar
O que as ondas escondem?
Os corais maravilhosos?
Os ventos vindos do mar?
Os barcos naufragados?
O maravilhoso Mundo,
A tristeza das pessoas,
Os peixes em extinção.
As focas divertidas,
Os peixes escondidos,
Os tubarões comendo,
Os polvos arrastando,
A raia salpicando.
Muitos anos de vida,
E descontentamento,
E assim o oceano
O que as ondas escondem?
Os corais maravilhosos?
Os ventos vindos do mar?
Os barcos naufragados?
O maravilhoso Mundo,
A tristeza das pessoas,
Os peixes em extinção.
As focas divertidas,
Os peixes escondidos,
Os tubarões comendo,
Os polvos arrastando,
A raia salpicando.
Muitos anos de vida,
E descontentamento,
E assim o oceano
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